quinta-feira, 19 de março de 2009

Ensino de educação à distância na disciplina de Estatística,
História do Brasil e Prática de ensino.

ADRIANA GERALDO ROSA[1]

“Ninguém educa ninguém” Freire 2006


Resumo

A educação à distância no Brasil pode ser considerada precária, mesmo possuindo métodos implantados pelo governo, muitas vezes o ensino que é passado para os alunos possui técnicas e visões tradicionais, ou seja, o professor não deixe os alunos construir o seu conhecimento trabalha com conteúdos preestabelecidos, que de acordo com GANDIN, 1998,

[...] é uma das barreiras mais forte na soma de dificuldades para alcançar mudanças significativas. Ter conteúdos preestabelecidos, antes de se pensar o que quer, é como ter um caminho definido antes de saber aonde se quer ir. P.31

Este artigo apresenta as contribuições que a educação à distância, Ead, pode oferecer através de meios on-line para o processo de ensino aprendizagem, ou seja, na disciplina de Estatística do Curso de Matemática Licenciatura Plena, o professor utilizou deste meio como auxílio para exposição de suas aulas, através de atividades e discussões, no Curso de História na disciplina de Prática de Ensino III e História do Brasil III, os professores utilizavam destes meios mais para informações e meio de comunicação com os acadêmicos, para tirar dúvidas e sugestões para as aulas, apontando a forma de avaliação, comentários e opiniões de acadêmicos conforme FREIRE, 2006


[...] saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou sua construção. P.47.


Palavra – chave: educação à distância, ensino, aprendizagem, leis, avaliação.


Abstract


The distância education in Brazil can be precarious, even having methods implemented by the government, often the teaching that is passed to the students has traditional techniques and visions, or the teacher does not let the students build their knowledge working with content intervals, which according to GANDINI, 1998,


[...] Is one of the strongest barriers in the sum of difficulties to achieve significant changes. Have content pre, before thinking about what it is like having a path set before you know where you want to go. P.31

This article presents the contributions that the distance education, ead, may provide by means of online education to the process of learning, ie in the discipline of Statistics of the Mathematics Graduate Course Full, the teacher used this as means to aid exposure of their classes, in activities and discussions in the course of history in the discipline of the Practice of Teaching History of Brazil III and III, the teachers used these resources for more information and means of communication with students to ask questions and suggestions for classes, indicating the form of assessment, comments and views of academics as FREIRE, 2006


[...] Know that teaching is not to transfer knowledge, but create opportunities for their own production or its construction. 47.


Keywords: distance education, teaching, learning, law, assessment.


Neste artigo discutiremos a EAD no ambiente acadêmico, sendo o ensino apresentado de diferente forma para uma análise comparativa, 20% à distância e com o material de apoio com demonstração de gráficos. Para compreendermos apresentaremos um pouco sobre sua história, as leis que defendem este meio de educação, algumas metodologias, a forma de avaliação da instituição/acadêmico/professor. Nesta maneira foi elaborada uma pesquisa bibliográfica e de campo, para observar como os estudantes estão pensando sobre esta forma de ensino.
O tema ensino à distância tem sido abordado por educadores com grande entusiasmo, em um ponto todos concordam que a elaboração de curso a distância não é trivial, mas observando a oportunidade de aprendizagem para os estudantes, a EAD precisa ser concebida como um desafio para o alcance de uma nova perspectiva e ao mesmo tempo para descoberta de que esta oferece, onde a aprendizagem pode ser realizada a partir de recursos didáticos sistematicamente organizados.
De acordo com BELLONI, 2006, a EAD esta presente entre-nos, desde séc. XIX, ou seja,

A educação aberta e a Distância aparece cada vez mais, no contexto das sociedades contemporâneas, como modalidade de educação extremamente adequada e desejável para atender as novas demandas educacionais de correntes das mudanças na nova ordem econômica mundial. P. 3,


Mas a o analisarmos artigo de ARAÚJO, 1999, pode observar uma contradição a este tipo de afirmação, o autor trabalha com a seguinte questão, onde levanta uma teoria que o ensino a distância surgiu com os filósofos gregos, especificamente, Platão “O ensino a distância, que aparece nas cartas de Platão, nas epístolas de Paulo e nas experiências com as correspondências no final do sec. XVIII.” P. 63.
Se em basearmos em fundamentos teóricos podemos compreender que esta análise pode ser contraditória, a partir do momento em que autor afirma esta questão, pois em seu próprio texto enfatiza questões defendidas, por exemplo, Belloni, onde preestabelece outras datas para a implantação da aprendizagem à distância.
O ensino a distancia tornou-se possível a partir do momento em que o governo brasileiro, aplicou a LDB em 1961, com isso, a educação recebeu vários meios de acessos, por exemplo, o Brasil conheceu a sua primeira Lei de Diretrizes e Bases somente em 1961, através da lei nº 4024, e o artigo 25, parágrafo segundo, dizia: “Os cursos supletivos serão ministrados em classe ou mediante utilização de rádios, televisão, correspondência, e outros meios de comunicação que permitem alcançar maior número de alunos. (BONINI; CHERMANN, cit.; ALVES, 1999, p. 12).
Possuindo seu ultimo aperfeiçoamento com Decreto 2494, de 10 de fevereiro de 1998, que de acordo com alguns autores pode ser considerado a normatização e preestabilização da EAD no Brasil, com métodos novos:
A história da avaliação superior iniciou-se em 1983 com a criação do Programa de Avaliação da Reforma Universitária (PARU), mas é em 1988 que a avaliação é incorporada através da Constituição Cidadã. Em 1994 o Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras - PAIUB financiada pelo MEC com a proposta de auto-regulação e adesão de voluntário onde realizava a avaliação institucional.
Em 1997 o PAIUB foi substituído pelo provão ENC (Exame Nacional de cursos) onde estes eram avaliados pelo MEC neste mesmo ano foi aprovado a LDB que determina autorização de funcionamento de instituição com o reconhecimento de cursos por tempo limitados tendo realizações de avaliação assim colaboravam para o crescimento de Universidades Privadas.
CONAES (Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior) foi criada em julho de 2004 com a missão de avaliar a qualidade e a responsabilidade acadêmica, coordena e supervisiona a avaliação de educação superior sendo o maior sistema de avaliação da America Latina.
Helgio Trindade foi o primeiro presidente da CONAES (2004-2006), coordenou a implantação de um novo sistema de avaliação do ensino superior.
Suas principais propostas é a avaliação institucional centrada em auto - avaliação realizando uma avaliação externa - interno. A CONAES é substituída por suas comissões Ministeriais: Uma executiva e a outra deliberativa, as quais programariam a avaliação antes de ser implantado o atual SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior), existiu o SINAPES.
SINAES (Sistema Nacional de Progresso da Educação Superior) criado em 02 de dezembro de 2003, foi uma proposta do programa da coligação (Lula o Presidente atual). O sistema busca ir além do Neoliberalismo inspirado no PAIUB e, regulamentado pelo MEC n° 2051, no dia 9 de julho de 2004, ao mesmo tempo foi criado o IDES (Índice de Desenvolvimento da Educação Superior) composto pela avaliação do ensino, avaliação da aprendizagem, avaliação institucional e a avaliação da responsabilidade social. Com aplicação do IDES com o ENAD (Exame Nacional do Desempenho do Corpo Docente) que juntas informariam o avanço o aluno como auxilio do curso. Os pilares que sustentam o SINES são:
Avaliação Institucional
Avaliação dos cursos de graduação e condições de ensino
Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes.
A metodologia no ensino a distância, é formado por concepções, ou seja, se subdivide em categorias, que possibilitam maneiras de como aplicar o conhecimento para o aluno. Esta categoria possui semelhanças como o método que é utilizado no ensino presencial, por exemplo, a inatista pode ser comparada com a tradicional, pois se preocupa apenas com o professor tratando o aluno como um objeto, ambientalista se assemelha tecnicista, pois o aluno é considerado como uma máquina processa e reproduz, a construtivista pode ser considerada também como uma tendência progressista, onde o professor proporciona o ambiente cabe ao aluno crítica, interagir-se e motivar-se ao seu meio, e sociointeracionista se compreende a libertária, pois o aluno faz seu caráter para a sociedade, participando das discussões de classes com os professores mantendo uma relação aluno/professor.
Segundo MOORE, 1999, podendo ser encontrada de várias formas,


Educação a Distância e aprendizagem planejada que geralmente ocorre no local diferente de ensino e, por causa disto, requer técnicas especiais de desenhos, de curso, técnicas especiais de instrução métodos especiais de comunicação através da eletrônica essenciais, organizacionais e administrativas. P. 50.

Podemos então defini-la como a separação de professor/aluno/sala, ou seja, o estudante é individuo abstrato com a educação tradicional. No que se refere avaliação, juntaremos avaliação institucional à avaliação da aprendizagem, sendo assim uma estratégia dessas avaliações, deve ser da seguinte forma “propor questões ao invés de dar respostas intervir para oferecer maior clareza, direção e orientação, reforçar discussões e informações”. (Benoni; 2000, P. 63).
A avaliação institucional tem como base quantitativa e qualitativa: as bases quantitativas são constituídas por informações fornecidas pelas IES referentes à infra-estrutura material e físicas. As de bases qualitativas estruturadas da análise do referencial quantitativo e da comparação entre as metas que a IES se propõe a cumprir.
O principal objetivo da Avaliação é promover a melhoria da qualidade de ensino e da aprendizagem, ela deve ser analisada, diagnosticada percentualmente e contínuo no ensino a distância seria tecnologias, estudantes, professores, tutores, administração,... A preocupação maior na EAD é no estudante, o qual necessita de um perfil que se interesse a participar de curso dessa natureza, pois,

[...] de um modo geral, o aluno a distância deve encontrar em si mesmo as motivações e as necessidades para aprender, sendo capaz de fazer opções sobre seu próprio processo de educação. Portanto, apresenta-se um grande desafio para a EAD que é de estabelecer, onde os alunos possam definir seus ritmos, preferências curriculares e metodologia de aprendizagem. (STRUCHINER; GUANNELLA, 2001).


Dentro do curso-online destacam-se os autores Palloff e Pratt, apresentando as seguintes perspectivas:
I. Estar receptivo a compartilhar e trocar experiências como partes do processo de aprendizagem;
II. Ter habilidade na comunicação escrita;
III. Estar disposto a comunicar problemas e dificuldades que possam ocorrer no desenvolvimento do curso, pois, em um curso on-line, a “visualização” do sentido do aluno se torna mais difícil do que em um curso presencial;
IV. Ter compromisso com o tempo necessário para realizar as atividades previstas;
V. Possuir os recursos tecnológicos necessários como, internet, computador e o mínimo de habilidade com esses recursos;
VI. Adquirir o sentimento que “pertença”, que leve o aluno a fazer parte da comunidade do curso;
VII. Saber pensar criticamente de forma a refletir sobre o seu processo de aprendizado;
VIII. Acreditar na experiência on-line, ou seja, que é possível estudar a distância sem estar fisicamente atrelado a uma sala de aula tradicional.
Autonomia faz parte das demandas da sociedade como um dos pré-requisitos para viver sob as novas tecnologias presentes nos diversos setores, incluindo o educacional, desta forma existe uma necessidade material, emocional, sociocultural e política, podemos então descrever a autonomia de acordo com FREIRE, 2006, é fazer o aluno como sujeito do processo pedagógico.
Talvez a não adaptação dos alunos nas características citadas por Palloff e Pratt tem aumentado a taxa de evasão dos cursos on-line, percebe-se então a necessidade de um aluno que desenvolva e/ou construa o seu pensamento.
A escola deve dar o exemplo do processo contínuo significando avaliar-se em todo o processo, sendo assim papel do educador é, rever o seu próprio processo de ensinar e aprender, mostrar seus erros e acertos, seus obstáculos, conquistas, suas possibilidades infinitas, encontrar novos paradigmas derrubando as barreiras do autoritarismo e da arrogância. Quando estudante se encaminha para um ambiente acadêmico, tem certa dificuldade na aprendizagem, pois o nosso país possui uma educação que os educadores, infelizmente somente obrigam os alunos a reproduzirem aquilo que é estabelecido por uma história vista pelas elites.
Realizando uma pesquisa documental e bibliográfica com aplicação de um instrumento de pesquisa junto aos acadêmicos para obtermos opiniões dos alunos sobre o tema estabelecido.
A pesquisa foi realizada no município de Criciúma, localizado no Sul do Estado de Santa Catarina na Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC para os cursos de Matemática e História sendo 20% à distância e como material de apoio, pois segundo PETERS, 1973 e ARAÙJO, 1999
Educação à Distância é um método de transmitir conhecimento..., é uma forma industrializada de ensino e aprendizagem. O termo “à distância”, que indica a separação física entre planejador e aluno, o material impresso é ainda o recurso pedagógico mais utilizado no processo ensino e aprendizagem no nosso país visto como material de apoio.

Dessa amostra participaram 46 acadêmicos juntos, 58% matemáticos e 42% historiadores, sendo aplicada na disciplina de Estatísticas, História do Brasil III e Prática de Ensino III no segundo semestre 2008. Ao analisar as amostras separadas, pois no curso Matemática a educação é 20% à distância e em História a ensino distância vem como material de apoio.
O questionário do curso de Matemática apresenta 32% dos acadêmicos satisfeitos e se surpreendem com a forma de ensino este ano, e se tivesse outra oportunidade utilizariam o recurso novamente, aconselhariam a outros, porém 21% consideram insatisfatórios não gostam da EAD, mas nos deparamos com os mesmos estudantes por não terem sugestão para melhorar os problemas encontrados.
Na observação dos questionários 58% dos alunos consideram a navegação como ponto forte, 78% avaliam a aprendizagem como ponto fraco e 71% apontam como ferramenta mais utilizada o fórum e percebemos que a maioria dos acadêmicos não haviam tido aula desta maneira, sendo 92% dos alunos, mas 71% fazem as atividades durante a aula e 54% entenderam os conteúdos ministrados, porém 23% dos acadêmicos aprenderam melhor desta forma, alegando que os conteúdos ministrados ficam no computador quando surgiram dúvidas é só acessar o site novamente. Segundo MORAN, 1994
Educação a distância é uma prática que permite um equilíbrio entre as necessidades e habilidades individual as do grupo de forma presencial e virtual. Nessa perspectivas, é possível avançar rapidamente, trocar experiências, esclarecer dúvidas e inferir resultados.

O curso de História adotou a educação à distância como material de apoio onde o professor tira as dúvidas e deixa as atividades e as apostilas no site. Analisamos o curso de História nos deparamos com algumas diferenças, por exemplo, a ferramenta mais utilizada é o editor de texto com 67%, como ponto forte é a linguagem utilizada com 67%, mas como pontos fracos foram considerados a aprendizagem e o exemplo esclarecedor ambos com 72%.
Observamos que 100% dos acadêmicos não possuíam este tipo de experiência, sendo que 50% dos alunos que entenderam o conteúdo, porém 45% afirmam que poucas vezes essa ferramenta contribuiu para a aprendizagem e 38% fazem as atividades pedidas pelos professores durante o período de aula.
Ao analisarmos as amostras juntas podemos notar algumas diferenças e semelhanças entre elas, exemplos: no acesso a internet 98% das pesquisas, possui acesso dentro de sua casa e no trabalho apenas 2% não tem acesso a esse meio de comunicação.
Entre as ferramentas mais utilizadas podemos citar o fórum com 63% é muito utilizado pelos acadêmicos e com médio não tão utilizado é o editor de texto com 31% mais o que é menos utilizado considerado como nunca a participação de outros cursos online.
A forma de apresentação dos professores foi considerada pela maioria fraca a aprendizagem 77% demonstrando que o professor não é esclarecedor, desta maneira podemos então observar que a educação a distância é considerada falha por culpa do professor e da forma estabelecida do ensino, sendo que não há relação aluno para professor, porém deparamos com a seguinte questão, o que acontece para que os alunos cujo professor seja presencial utilizando este meio, apenas como material de apoio não considerando a forma ministrada, ou seja, não esclarecedor?Será culpa do professor ou do aluno?
O que também chamou a atenção nesta forma de avaliação junta foram os acadêmicos considerarem a navegação ótima com 54%.
Por meio deste relatório, podemos perceber que existem algumas atenções, que devemos tomar ao escolher um curso on-line. O curso tem que ter um bom conceito pelo cursado, no mínimo uma aula por semana presencial, e qual a forma de avaliação que existe nesta instituição, sendo esta ultima muito importante, pois através desta você acadêmico descobrirá qual a sua maior dificuldade.

Referências Bibliográficas

BELLONI, M. L. Educação á Distância. 3ª ed. Campinas – SP: 2003 Coleções Educação Contemporânea.
BONINI, Lucia Mendes; CHERMANN, Mauricio. Educação á Distância: Novas tecnologias em ambientes de aprendizagem pela internet. 2000.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. 13ª ed. 2006
GANDIN, Danilo; CRUZ, Carlos H. Carrinho. Planejamento na sala de aula.
2ªed. Porto Alegre: 1998.
PALLOFF, R.M.; PRATT, K. O Aluno Virtual: Um Guia para Trabalhar com Estudantes on-line; trad. FIGUERA, Vinicius. Porto Alegre: Editora Artmed, 2004.

Referências Complementares:

ARAÙJO, José Carlos. Ensino á Distância: Raízes, Características e Fase. Dois Pontos: Teoria e Pratica e Gestão Educacional, 62-66p, 1999.
MOORE, M. Educação á Distância: Perspectiva Institucional. Nova York: 1999.
PETERS, O. Teoria e Aspecto: Educação á Distância. Mckense EUA: 1973
STRUCHINER; GUANNELLA. Educação á Distância. Campinas – SP: 2001 Coleções Educação Contemporânea.


[1]ROSA; Adriana Geraldo. Acadêmica do Curso de Licenciatura Plena em Matemática, 5ª fase – Universidade Do Extremo Sul Catarinense – UNESC.

quarta-feira, 18 de março de 2009

matematica o que é?

Matemática, o que é?


O que é a Matemática? Esta perguntas inspiraram, e ainda inspirarão, pesquisas em diferentes “áreas” do conhecimento. É uma pergunta complexa que eventualmente é feita, e que ganha respostas distintas ao longo de nossas vidas. Não é pergunta que apenas colocam nosso desejo de compreender o que é a matemática , mas também de como se dá a relação entre os símbolos “matemática-ciência exata e objetiva” e “o ser humano que a utiliza”. Galileu Galilei disse que a Matemática é a linguagem do Universo. Uma linguagem, ao contrário de uma língua, é subjetiva por natureza, ela é de quem fala e é de quem ouve. Por isso digo que, em sentido estrito, a matemática não existe. Existe sim um mundo que “fala” e um curioso que “ouve”: o matemático, um poeta que, no corromper da língua com a possibilidade subjetiva, resgata a linguagem e, através dela, fala ao mundo de si. Para um poeta, o domínio da língua é fundamental. Mas este fato não advoga a favor da tese que afirma a língua como um “a priori” da linguagem. Em meu ponto de vista, ocorre justamente o contrário: a linguagem é um a priori da língua. A curiosidade, o gerar e o gerir da irrealidade, a inteligência humana, o homem, esses são os “a priori” da matemática. Um poeta adota um determinado gênero literário ou ele coloca-se, escreve-se enquanto sujeito inserido em um contexto (social, cultural, histórico, etc.)? O que é um gênero senão algo que aspira ao objetivo, que é concebido na análise de uma fotografia, um modelo que busca definir similaridade? Ora, foi o Parnasianismo que influenciou e gerou os trabalhos de Vicente Carvalho e de Olavo Bilac ou foram as peculiaridades, as contribuições únicas de cada um, que fundamentaram e instituíram o Parnasianismo enquanto gênero literário? Foi a matemática que norteou o trabalho dos matemáticos em primeiro lugar ou foram as subjetividades livres e criadoras daquelas inteligências que constituíram a matemática enquanto linguagem? É neste sentido que digo existir o matemático: enquanto subjetividade, enquanto humano. A matemática vem depois, enquanto possibilidade, mas jamais enquanto norma ou modelo de qualquer coisa, seja do mundo, seja de si.
Acesso em:18/03/2009.